Escola

A Escola gigante

Antes de ir estudar lá, nunca tinha ouvido falar do bairro, só passado sem perceber nem as ruas e casas, nem a placa entre a mata que indicava aonde eu estudaria por 5 anos. Estudar na Fundação Osório, me fez ir descobrindo o bairro aos pouquinhos. Conhecendo e construindo na minha cabeça, ele passou a existir. Essa vivência na escola é cheia de memórias e dicotomias. Nunca tinha estudado em um lugar tão gigante, nunca tinha encontrado amigos que seriam pra vida toda, nunca tinha estudado sob administração militar. Tinha que marchar debaixo de sol, ao mesmo tempo que matávamos aula atrás da capela, lugar oficial dos beijoqueiros e dos dramas adolescentes. A escola formou muita gente em vários aspectos, e pra mim um dos maiores foi justamente transformar minha relação com o espaço físico que me cerca. Hoje, o Rio comprido não é lugar de passagem, foi lá onde criei muitas memórias, me formei, não só como aluna, mas como uma rolezeira antes de saber esse nome, que fazia caminhos longos pra observar as ruas, descobrir os melhores comércios e viver o bairro. Foi lá que encontrei meus melhores amigos da vida, que hoje caminham comigo por onde for, e é la que quando eu passo, espicho o olhar buscando encontrar uma memória, ou um pedacinho da Escola no meio da Floresta.

Tags: Memória,Passado

A praia improvisada

Sim, é meu

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Ah! o CEFET/RJ

Em 1998 eu passei no concurso e fui estudar no CEFET/RJ, na avenida Maracanã. Não sei se existe escola melhor que essa. Não só pela qualidade de ensino, mas também pelas múltiplas possibilidade que ela oferece. Pelo menos naquela época era o lugar em que pessoas de todas as tribos se encontravam e conseguiam dialogar. Onde apesar de todas as diferenças, a gente via que as pessoas se respeitavam (na maioria das vezes). Porém, estudar na avenida Maracanã não é para os fracos. Um calor danado e quem mora no rio sabe que isso é sinônimo de chuva forte principalmente no início do ano. Chuva forte é sinônimo de enchente. Portanto, quem mora longe nessas horas tem duas opções: sair antes da chuva ou sair depois da chuva. Nem sempre um cefetiano pode sair antes da chuva... e isso significava ficar na escola até a água baixar e ter ônibus para ir para casa. Isso podia ser lá pelas 22hs... ou mais tarde...

Tags: Cultura,Encontro,Memória,Mobilidade,Saudade

Cantinho acolhedor

O Parque Estadual do Chacrinha fica localizado em Copacabana, possui uma área de lazer significativa, trilhas e várias espécies de animais. É um refúgio no meio de tantos prédios! Era um dos meus lugares favoritos quando criança. Era um espaço onde eu podia brincar e socializar. Antigamente, havia uma escolinha de alfabetização dentro do parque (SACHA), onde hoje é um museu. Estudei ali por alguns anos e era sempre uma alegria, pois saía dali e ia brincar ali mesmo. Fazíamos muitas atividades por ali, aprendendo a plantar e cuidar do parque, além de passeios e festas. Esse período foi muito importante para mim, pois sempre fui muito tímida e era um local onde eu me sentia acolhida e feliz, pois sempre gostei de estar próxima da natureza. Voltei ao parque em outros momentos da minha vida e é sempre o mesmo sentimento de acolhimento. É legal acompanhar as mudanças do local. É muito importante que as crianças consigam ter acesso a esses espaços e possam brincar com segurança, além da importância de haver espaços ecológicos e de preservação no meio da cidade! :)

Tags: Ar Livre,Criança / Infantil,Diversão,Inclusão,Meio Ambiente

Colégio Andrews e as eleições

Morava em Botafogo quando a minha vida adulta começou. Uma das minhas primeiras responsabilidades cívicas foi votar. Tirei o título de eleitor e junto com alguns amigos, escolhemos o colégio Andrews, na Praia de Botafogo, como zona eleitoral, por ser perto da minha casa na época. A cada eleição encontrava com os mesmos amigos por muitos e muitos anos. Cada um seguiu sua vida, a maioria mudou de bairro, inclusive eu, mas o encontro de tempos em tempos está garantido. Mas hoje, este colégio virou PH e, por alguma razão que desconheço, a nossa zona mudou para a Aliança Francesa na Muniz Barreto. Mas os encontros neste novo endereço também já aconteceram. Nós pretendemos repetir esses encontros pelo resto de nossas vidas. Vou sempre acompanhado da minha esposa, que é era uma das minhas amigas nessa época, e vota no mesmo local, e dos meus filhos. Adoramos esse programa!

Tags: Futuro

Colégio Santo Inácio – Ensino Médio Completo e Profissionalizante

Quando vim para o Rio de Janeiro, aos 15 anos para trabalhar, tive que abandonar os estudos. Com 17 anos casei, aos 20 tive a minha primeira filha e aos 25 tive a segunda. Para acompanhar a ida da minha filha Renata ao supletivo à noite, no bairro de Botafogo, decidi voltar a estudar, com quase 40 anos, junto com ela. Nos matriculamos no Colégio Santo Inácio que é uma escola muito tradicional da cidade e que à noite faz esta atividade social gratuitamente. Além de terminar o Ensino Médio, pude me formar como Técnica de Enfermagem e Renata como Técnica de Administração. Ganhei uma nova profissão na qual atuo até hoje aos 64 anos. Serei eternamente grata a este colégio por este trabalho magnífico que eles fazem. Recomendo que conheçam a igreja do local também.

Tags: Educação

Em um lugar diferente

Na época da escola, eu até gostava de frequentar as aulas mas eu gostava mesmo era dos passeios, da ansiedade de saber aonde iriamos, o ritual de pedir permissão para os pais, era tudo muito animador mas um lugar específico, era mais do que passeio, mais do que ter um momento fora da escola, era um momento de estar longe de tudo que vivia, estar no teatro era muito diferente do que estar em qualquer cinema, tudo era diferente, o silêncio absoluto, o apagar das luzes, a cadeira de couro e até o cheiro era mais agradável. O teatro fez parte do meu descobrimento como adolescente e de descobrir coisas novas e de entender como eu era, uma fase tão cheia de dúvidas, ter o teatro como plataforma para ver situacões diferentes, me encantou, principalmente, a peça diário de um adolescente, quando assisti, parecia que tudo aquilo que eu vivia fazia sentindo, oh, grande fase, me fez sentir importante. Que todos tenham cada dia mais oportunidade de ir ao teatro e viver o melhor dele.

Tags: Diversão,Encontro,Saudade

Escola e família Reunida

Quando eu era criança minha mãe se casou novamente e veio para o Rio de Janeiro. Eu e meu irmão permanecemos em São Paulo sendo criados pela minha família materna. Anos depois viemos para o Rio, pois ela tinha conseguido criar condições para nos manter. Nós morávamos em Botafogo e ela me matriculou na Escola Municipal Professora Lygia Uchoa Medeiros em 1989, em Botafogo. Lembro que foi uma das épocas mais felizes da minha vida. Minha família estava reunida de novo, minha escola era ao lado de casa e fiz muitos amigos lá. Na rua da escola tinha uma lanchonete que vendia a melhor coxinha da cidade. Muitas vezes, após as aulas, eu e meus amigos comíamos a coxinha como almoço e seguíamos para a praia do Leme. Lembro com muita saudade do Rio de Janeiro dessa época.

Tags: Alegria,Educação,Família,Passado

Felicidade no Felicidade

Fui estudar no Felicidade aos 11 anos. Era uma escola modelo na época. Tínhamos as aulas normais e os projetos (teatro, educação para o lar (para meninos e meninas), técnicas agrícolas, música, dança, artes, entre outras coisas que já não me lembro). Todo ano participávamos de mostras de dança. Tínhamos um grupo de dança incrível. A professora "orquestrava" magistralmente as meninas e meninos que queriam dançar. Em todas as competições que participávamos ganhávamos algum troféu. Mas o mais importante que aprendi no Felicidade e com professores como a professora de dança é que o ensino não é feito de técnicas e metodologias, somente. O ensino é feito de pessoas. Isso era o que fazia o Felicidade diferente. Da cozinha à direção no Felicidade tínhamos afeto e pessoas que acreditavam que nós poderíamos ser mais. Que nos diziam isso diariamente. Educação de qualidade não é só conteúdo. Educação de qualidade é o conjunto da Obra. Quem conheceu o Felicidade daquele tempo sabe do que estou falando. Acho que todos nutrimos um carinho enorme pelos professores e funcionários, pois majoritariamente éramos tratados com muito respeito e carinho. Por isso tantos de nós alçamos voos tão altos, mesmo tendo origem tão pobre. Porque alguém lá no Felicidade acreditou em nós e nos disse isso.

Tags: Conhecimento,Descoberta,Educação,Inclusão,Memória

Guerra das Escolas

Estudei na FAETEC Ferreira Vianna de 2007 a 2010, como era técnico ficava de manhã até o fim da tarde na maioria dos dias. Lá conheci amigos que tenho até hoje, já fiquei ilhado nas famosas enchentes de chuva no maracanã, matando aula e jogando sueca na rua em frente, tive ótimos professores tenho contato com um até hoje Damião professor de tecnologia das construções, as melhores aulas eram a de campo no laboratorio de edificações. Um dia, alunos da CEFET, Pedro II e da FAETEC se reuniram para brigar de graça na altura da Professor Gabizo, muita briga de adolecente que só queria se bater de calouros a veteranos. Passado um tempo chegou a PM montada pra dispersar o pessoal e como resultado a escola que tinha portões abertos ficou com algumas semanas de portões fechados e muito tempo de acaradas entre os alunos da escola.

Tags: Desencontro,Encontro,Vizinhança

Infância Feliz

Eu sempre gostei de dançar, então desde pequena pedi para minha mãe me colocar nas aulas de jazz, da ADAC (Academia de Dança Ana Cristina), que ficava dentro do colegegio EDES ( Educandário Edith Dos Santos). Eu era bem pequena mesmo, acho que menos de 10 anos e amava muito a dança. Lembro dos encontros de dança, das festas juninas onde me apresentava, lembro das amizades de uma vida que eu fiz e carrego até hoje. Lembro até do meu primeiro beijo, que aconteceu em um intervalo de uma aula de dança, hahaha. Eu realmente tive uma infância muito privilegiada. Meu avô me levava para as aulas sempre, e minha mãe e minha vó sempre assistiam minhas danças. Eu lembro como se fosse hoje do prazer que eu sentia em dançar. Da felicidade que era memorizar uma dança. Dos momentos de alegria que eu vivi com meus amigos. Do frio na barriga, antes de cada apresentação que eu fiz. Infelizmente são momentos que não voltam mais, mas pelo menos ainda posso ver algumas fotos para matar a saudade. Sempre que possível, encontro uma parte da galera, e sempre nos divertimos muito lembrando dos nossos momentos juntos. Eu dancei nesse mesmo lugar até meus 18 anos, então realmente tive muitos bons momentos ao lado de pessoas maravilhosas. Eu era muito feliz, e tinha plena noção disso!

Tags: Alegria,Arte,Criança / Infantil,Diversão,Memória

Memórias do Andrews

O Colégio Andrews está na minha vida antes de eu vir ao mundo. Mrs. Andrews, uma educadora inglesa, vivendo aqui no Rio, juntamente com a Sra. Alice Flexa Ribeiro, alta dama da sociedade carioca e muito amiga da minha avó materna, fundou a instituição de ensino, no século passado. Mas não era ainda na rua Visconde Silva, no Humaitá, mas sim na Praia de Botafogo, onde hoje em dia é o Colégio pH. Minha mãe e seus irmãos estudaram ali. Considerado um colégio de elite, mamãe me contava que era colega de Eduardo Guinle, o mais bagunceiro da turma e péssimo aluno. Vivia na sala da Dona Alice, expulso da aula por insubordinação. Décadas mais tarde, nos idos de 1968, chegando meus pais e eu de Belo Horizonte, fui matriculada no Colégio Andrews. Mas por conta do "bullying", acabei me transferindo para outra escola, retornando somente após concluir o ginásio. Foi então que fui colega de pessoas incríveis, formamos uma galera super unida que saia pra falar de politica e música. Fazíamos uma vez por mês uma sessão de cinema no Horto, na casa de uma colega. Depois do filme, tinha um sarau. Era época do Som Imaginário, Milton Nascimento, movimento de contra cultura. Entrei para um grupo de teatro do colégio no qual fazia parte Miguel Falabella e Maria Padilha. Foram períodos inesquecíveis da minha vida.

Tags: Saudade

O primeiro carnaval de rua - Arco dos Teles

Lembro como se fosse hoje daquele carnaval, para um paulista recém morando na cidade do Rio na zona norte e disposto a viver a experiencia de conhecer cada espaco os seus encantos, aceitei o convite de dois colegas que sugeriram a ida ate o Arco dos Teles para curtir o pre carnaval de rua. Para um paulista foi meio perrengue o acesso, já que os parâmetros de locomoção;ao eram outros. Mas quando lá chegamos, que incrível aquilo, um beco, tratava-se de um beco, com pegada histórico, meio decadente. Mas como uma energia incrível. Eu ainda timido com apenas uma gravatinhas borboleta com fantasia, diante de tantas fantasias brincando o seu carnaval, nunca me senti tao inserido e pertencente a uma festa tao democratica. E por falar em fantasia os dois colegas anfritriões nas suas saias e cocar de índios foram companhias muito agradáveis durante aquela tarde. Confinados naquele beco decadente e mesmo com todo perrengue para ir ate o banheiro químico , não posso reclamar do astral, da melhor caipirinha e simpatia da D. Arlete da barraquinha. Anos depois nunca mais encontrei a D.Arlete da caipirinha mais gostosa, mas aqueles dois indiozinhos que naquele carnaval eram apenas dois estranhos hoje sao grandes e queridos amigos presente na minha vida, e vivendo juntos muitos outros carnavais.

Tags: Acessibilidade,Ar Livre,Educação,Evento,Segurança

Ótimos anos da minha vida.

A FAETEC de Santa Cruz existe desde 1998 e funciona atualmente no antigo prédio do Matadouro do bairro. No ano que eu entre, oferecia ensino médio com os técnicos em eletromecânica, informática, enfermagem e segurança do trabalho (hoje em dia tem química e administração). Neste local, vivi experiência maravilhosas enquanto adolescente, conheci muita gente: fiz amizades, inimizades, paquerei, aprendi, fui jovem. Tive professores dos mais variados tipos, dos que menosprezavam alunos e dos que incentivavam a seguir a carreira que gostasse. Desses últimos sou amigo até hoje em dia. Lembro que a cada dia, até o fim do ano letivo, aparecia alguém novo. Eu e um amigo costumávamos dizer que aquela escola tinha "macete de aluno infinito". São muitas histórias divertidas para contar, tantas que caberiam em vários livros. Agora no momento da pandemia, recebi fotos da escola que encontra-se abandonada, saqueada e com pouco investimento do poder público, o que é triste. A ETESC tem um poder transformador absurdo, carrega consigo sonhos de muitos jovens, assim como carrega o passado de muitos profissionais maravilhosos que tive o prazer de conhecer. Trago este relato como alguém que viveu a ETESC, que clama por dias melhores na educação pública e busca a preservação deste espaço que é inesquecível.

Tags: Arquitetura,Educação,Encontro,Esporte,Trabalho